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Fui buscar esta história no livro: "As mais belas parábolas de todos os tempos", em seu segundo volume, escrita por Alexandre Rangel  e com texto adaptado por Luciano Urpia. Um jovem aprendiz foi procurar o seu mestre com um grande temor: ele temia a morte. Chegando ao templo, o aprendiz ajoelhou-se e abriu seu coração: - Mestre, sinto-me envergonhado de dizer, mas temo muito a morte. O que devo fazer? Como posso superar esse medo?

O mestre, pacientemente, ajoelhou-se ao lado do discípulo e disse: -Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida, e isso é um erro. Existem outros tipos de morte, e nós precisamos morrer todo dia.- Todo dia, mestre? Eu já tenho medo de morrer uma vez, quem dirá todos os dias - interrompeu o aprendiz. O mestre:- A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, não existe um iniciado sem a morte do profano, Isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro.

Enfim, o quer o sábio da história quis dizer é que morte não é um fim, pois que a natureza não se estagna, não pára. Renovação é a senha para seguirmos diante, reforma íntima é o caminho para a felicidade. Por isso, no entender do Mestre, se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o estudante do Ensino Médio aéreo, que vice dormindo lá nas carteiras do fundão, achando que ainda tem muito tempo pela frente.

Se deseja ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas e fechar as notas. Quer ter um bom relacionamento? Então mate dentro de você o jovem inseguro e ciumento, o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinho, sem ter de dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém. Enfim, concluiria o guru, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior. Este é um dos tipos de morte.

Mas, perguntaria o discípulo e também o leitor, qual o risco que corremos se não agirmos assim, se não pensarmos desta maneira? ? - perguntou o jovem. E o Mestre nos diria: O risco é tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.

Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos infantilizados.

Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos. Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído? Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser? Pense nisso e morra! Mas não esqueça de nascer melhor ainda!

Orlando Ribeiro
Jornalista por necessidade, radialista por convicção. Pós-graduado em Linguística e Produção Textual, chefe da Divisão de Relação e Fomento no Desenvolvimento Econômico de Votuporanga, Mestre de Cerimônias e Celebrante de Casamentos. Mas, gosta mesmo é de prosear!

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